quarta-feira, dezembro 22, 2004

Sonhar

Sonhar devia ser crime! Apenas alimenta o desejo, a ganância, potencia os objectivos, leva-os aonde só a imaginação permite, aumenta ânsia, a frustração, a insatisfação da condição actual.
Tudo o que tenho não me chega, desejo não aquilo que não possuo, mas quem não posso tocar, sonho com almas que não conheço, gente sem rosto que anseio conhecer.
Sonho com uma vida que dificilmente terei, num mundo ideal que não há-de existir.
No sonho todos existem outra vez, não existe a ausência, quem amo está à minha beira, não chegou a partir.
Sonho sempre acordado, a noite é para descansar e no entanto estou alerta, é na penumbra que surgem os nossos monstros, é na noite que saem para nos apanhar desprevenidos, a mim não me vão agarrar, no meu sonho eu sou omnipotente. Quando acordo de nada me recordo, já não sei qual é o mundo (sur)real, de que monstros devo fugir.

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